Relatos

Nascimento do Otto - Larissa Pereira e Juliano Baltazar e Nina Baltazar

A chegada de Otto

Pela segunda vez, meu marido Juliano e eu estávamos prestes a vivenciar um dos momentos mais lindos dessa nossa humilde existência: o nascimento de um filho. Nina, há quase três anos, foi o nosso primeiro momento. E agora esperávamos Otto.
A gravidez de Otto foi sem maiores problemas, tirando os desconfortos já esperados para qualquer gestação, e uma inflamação no púbis que me acompanhou desde o quinto mês de gestação até o nascimento.
Mas Otto,ali no ventre, sempre esteve bem. Muito bem.
O parto de Nina tinha sido natural, hospitalar, com o acompanhamento de uma doula, na cidade em que vivíamos anteriormente, Maringá. Naquela ocasião, havíamos contratado um médico particular (que respeita o parto natural) para nos acompanhar. Esperávamos que o segundo parto também fosse natural, e por já conhecer um pouco a fisiologia do parto, estávamos confiantes em ter o parto com um plantonista de hospital. Ainda assim, optamos por contratar uma doula para nos acompanhar, já que médico seria "surpresa". E tivemos a imensa sorte de encontrar em Itapetininga a Samara Barth para nos doular.
Próximo à data do parto (já com 37 semanas!) fomos consultar no hospital onde supostamente teríamos o Otto. A consulta com o plantonista não me agradou: muita espera, exame de toque dolorido, e a indicação de que nosso bebê poderia estar com restrição de crescimento por causa do tamanho da minha barriga (sendo que na semana seguinte ele nasceu com 3,405 Kg!). Ainda, descobrimos outros contratempos: Juliano não poderia ser meu acompanhante após o parto, pois o quarto da enfermaria era compartilhado; e Nina não poderia visitar o irmão na enfermaria, já que a maternidade ficava inserida na unidade hospitalar. Essas questões me abalaram profundamente. Fiquei desesperada, pois via que o meu segundo parto (caso eu
conseguisse fugir da cesárea!) seria bem diferente do que eu havia imaginado.
Começamos a pensar em alternativas e foi quando resolvemos conversar com a pediatra Andrea Gouveia, da casa de parto Opima. Ela nos atendeu sorridente na quinta feira da semana seguinte, quando eu estava com 38 semanas de gestação (já quase 39!). Eu achei que ela não nos atenderia. Era uma loucura mudar todos os planos a essa altura do campeonato. Mas não tivemos contratempos, conseguimos acertar que o Otto nasceria na casa de parto, com o acompanhamento de duas enfermeiras obstétricas, e agora sabíamos que teríamos uma assistência humanizada. Nina poderia nos acompanhar e estaria presente no nascimento do
irmão. Saí de lá nas nuvens. Chorava, agora de felicidade. Fiquei tão tranquila, tão em paz, que comentei com o Juliano: "Terei o parto que sempre quis ter! Não me admiro se eu entrar em trabalho de parto ainda nessa madrugada, de tão relaxada que estou". No dia seguinte, na sexta feira, o meu tampão começou a sair.
Passamos o final de semana ansiosos. Ainda não tínhamos conhecido as enfermeiras obstétricas que iriam nos acompanhar, Giovana Fragoso e Mariana Angeloti. Na noite de domingo comecei com cólicas mais fortes e a madrugada de segunda feira já foi intensa, pois comecei a sentir fortes contrações (porém esparsas). Travamos uma comunicação intensa com nossa doula, e mesmo sem conhecer as enfermeiras, começamos a nos comunicar pelo whatsapp. Ainda não havia engrenado o trabalho de parto e precisávamos esperar.
Foi então na madrugada de terça feira, dia 02 de maio, na virada da lua, que as contrações começaram a ficar regulares. Acordei por volta das 2h30 da manhã e comecei a cronometrar as contrações. Escrevi para a Samara dizendo que as contrações estavam mais regulares e ela pediu para que eu fosse para o chuveiro.
Após um tempo no banho, senti que o intervalo entre as contrações diminuiu. Conversamos também com a Giovana, que nos aconselhou a ir para a casa de parto.
Chegamos na casa de parto por volta das 6h da manhã. Nina e minha sogra, que havia chegado na noite anterior, estavam conosco. As contrações já estavam doloridas e me faziam curvar cada vez que vinham.
Conheci então as enfermeiras que nos atenderiam (tínhamos uma consulta marcada para aquela manhã, mas o Otto não esperou!!). Daí em diante, eu só esperava que o Juliano estivesse ao meu lado o tempo todo para me apoiar. Nina não quis ficar no quarto de parto, preferiu ir brincar lá fora com a avó. De vez em quando ela pedia para entrar, mas quando ouvia meus gritos, corria pra fora novamente.
Agora eu já conhecia o processo: passar pelas dores das contrações e esperar para começar a sentir as contrações de expulsão (após dilatação total). Samara fazia massagens na minha lombar, passava óleos, me ajudava a sair/entrar no chuveiro. Eu me sentia muito amparada.
Lembro que eu estava embaixo do chuveiro quando senti a primeira contração de expulsão. Avisei a equipe e elas começaram a encher a banheira, pois eu queria tentar o parto na água. Na banheira senti quando a bolsa estourou, pois senti saindo bastante líquido, um líquido mais espesso. Mas o período de expulsão foi longo, por volta de duas horas. E eu cansei de ficar na banheira. Depois disso ainda fui pro chuveiro, pra banqueta de cócoras, depois fiquei de quatro na bola de pilates, depois deitada...
Eu estava ficando muito ansiosa.. O período expulsivo no parto da Nina tinha sido de 20 minutos. Por que agora demorava tanto? Perguntava para as enfermeira o porquê de tanta demora, o que eu estava fazendo de errado? Nada, diziam elas.. Era só preciso esperar e continuar fazendo força quando sentisse a contração.
Durante o período expulsivo, elas me examinaram algumas vezes para ouvir os batimentos cardíacos do Otto. Eram momentos de muita emoção, chorava de felicidade, ele estava bem, estava chegando. Depois eu voltava a chorar de ansiedade.. hehe
Após descansar um pouco na cama, a Giovana sugeriu que eu tentasse novamente alguma posição vertical. E assim, meio em pé, meio agachada, sustentada pelo meu marido, Otto nasceu após algumas contrações. Na contração que saiu a cabeça, eu já senti um forte alivio, uma grande emoção, sabia que estava tudo acabando e que Otto estava sim chegando. Quando ele nasceu, pedi que Samara fosse chamar a Nina para ver o irmão.
Nina estava do lado de fora do quarto e tinha ouvido o primeiro choro do Otto ? ela pulou levando as mãos e gritou "meu irmão nasceu"?! A sensação de segurar o bebê recém-nascido no colo pela primeira vez é indescritível. Lembro de olhar para o Juliano, eu com os olhos marejados, e ver que ele também estava emocionado. E não podia sentir felicidade maior, estar nesse momento tão mágico com meu marido e meus filhos.
Otto nasceu às 11h30 da manhã, veio para o peito e começou a tentar mamar. Após parar de pulsar, Juliano cortou o cordão umbilical. Nina observava tudo, mas não quis ajudar o pai a cortar o cordão. Enquanto examinavam rapidamente o Otto, fui para o banho e Nina me acompanhou. Brincou bastante no chuveiro.
Depois voltamos para a cama. Serviram um chá quentinho e me cobriram com uma toalha seca. Após alguns minutos, a placenta saiu. Depois, descansei muito tempo com o Otto no colo, contato pele a pele. Seguiram-se horas de extrema felicidade, era um ambiente "ocitocinado", como dizem. Nossa alta seria após 12 horas, mas como seria tarde da noite, passamos a noite na casa de parto e retornamos a nossa casa no dia seguinte.
"Cada parto é um parto" agora essa frase faz todo o sentido. Com Nina, tive uma experiência
completamente diferente. Tempo longo de trabalho de parto, dilatação mais lenta, período expulsivo mais curto. Com Otto, tive falso trabalho de parto na madrugada de segunda feira. O trabalho de parto só engrenou mesmo na madrugada de terça e o período expulsivo foi bastante longo. Eu achei que já era "diplomada" em parto natural, mas no final das contas, vejo como foi importante ter tido uma doula e uma equipe preparada e comprometida com a humanização do parto para nos acompanhar, mesmo sendo nosso segundo parto.

Larissa T. Pereira
Maio 2017

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