Relatos

Nascimento da Laura - Maria Rita e Fábio

Quando engravidei, comecei a estudar os tipos de parto e me deparei com o parto humanizado, aquele no qual a vontade da parturiente é respeitada, sendo ela a protagonista do próprio parto. Fiquei encantada!
Desta forma, decidi ter um parto natural, sem uso de medicamentos, sem anestesia, sem qualquer tipo de indução (soro com ocitocina sintética ou rompimento da bolsa de águas pelo médico), sem episiotomia ou qualquer outra intervenção desnecessária, sem que a Laura passasse por qualquer procedimento doloroso e desnecessário (aplicação de colírio de nitrato de prata, aspiração das vias aéreas, aspiração gástrica, sondagem anal, separação da mãe, banho dado pela equipe de enfermagem, corte do cordão umbilical enquanto pulsa etc) e decidi que o parto não aconteceria em um hospital, mas em um lugar aconchegante.
Após ter tomado todas estas decisões, meu marido e eu passamos por diversas consultas médicas e descobrimos que não havia equipe humanizada em Itapeva. Ficamos chateados. Mas não desistimos.
Ao conversar sobre o assunto com a amiga Bia Soares, ela me apresentou outra amiga que havia tido parto normal. Assim, a Luiza U Silveira Gonzalez me contou sobre o seu lindo parto e indicou duas obstetras humanizadas em Campinas. E a luz no final do túnel brilhou!
Passamos por algumas consultas e contatos com uma equipe maravilhosa em Campinas. Contudo, a distância de Itapeva e outros fatores acabaram tornando o parto em Campinas inviável. Mas não desistimos do parto humanizado!
Em contato com a doula Gisele Leal, outra luz se acendeu. Ela indicou a doula Samara e a enfermeira obstetra Giovana, em Itapetininga, cidade próxima à nossa, e tudo se iluminou.
Como a Giovana assistiria outro parto na mesma época, não poderia vir à nossa casa. Mas ela indicou a casa de parto Opima, da pediatra e neonatologista Andréa. Meu marido e eu fomos conhecer o local e ficamos entusiasmados!
Assim tudo se resolveu e era só esperar a chegada da Laura.
No dia 14 de junho de 2016, às 2h, acordei com contrações irregulares e, pouco tempo depois perdi o tampão mucoso. Avisei a Samara algumas horas depois e a Giovana pediu para eu ficar durante uma hora no banho e observar se as contrações se espaçavam. Elas se espaçaram e persistiram irregulares por todo aquele dia. Terminei de organizar as malas e as deixei perto da porta da sala.
Chegou a noite, tentei dormir, mas as contrações não paravam e estavam mais próximas. As 2h entrei no banho por uma hora e, quando saí, as contrações continuavam de sete em sete minutos. Estava chegando o grande momento!
Avisei a equipe e a Giovana pediu para irmos a Itapetininga. Meu esposo e eu saímos de casa às 4h. Viajar durante uma hora e meia com contrações de seis em seis minutos foi muito mais tranquilo do que eu imaginei.
Chegamos na Opima às 5h30. Samara e Giovana nos esperavam na porta. Fui recebida com abraços! Quando entramos na suíte de parto, tudo estava quentinho, o vidro da janela transpirando e as várias pequenas luzes do teto cumpriam o seu papel, parecendo estrelinhas. Eu me senti em casa.
Optei por fazer exame de toque e a Giovana constatou que eu estava com 6 cm de dilatação. Ficamos animados!
Samara começou a fazer massagens maravilhosas com óleos essenciais super cheirosos, tomamos um café da manhã delicioso, o Fábio dormiu um pouco, tiramos algumas fotos e as contrações continuavam. Eu tentei dormir entre as contrações, mas não consegui.
Entre as contrações, ouvimos Queen, demos risadas, contamos histórias, escutamos o coração da Laura várias vezes com a Giovana e com a Andreia, tomei alguns banhos, dancei, retoquei a maquiagem, dei muitos beijinhos no meu maridinho, almoçamos, e assim as horas foram passando sem eu perceber.
Às 15h45, quando a Sá aliviava as minhas contrações com o rebozo, a bolsa de águas se rompeu espontaneamente. Significava que o nascimento da Laura estava mais próximo.
E assim prosseguimos, com massagens, café-da-tarde, danças, música, conversas, sorrisos, gargalhadas, fotos, banhos, beijos e abraços, aguardando a chegada da Laura, sem induções, no tempo dela.
No final da tarde as contrações ficaram muito fortes. Entrei na banheira. Estava chegando a hora. As luzes foram apagadas e velas acesas para recebermos a Laura no aconchego da penumbra.
A cada contração eu me agarrava no tecido pendurado no teto e os sorrisos deram lugar às caretas. Ali permaneci por alguns longos minutos. De repente, senti vontade de sair da banheira e me sentar na banqueta, sob o chuveiro.
Já na banqueta, na próxima contração, fortíssima, pude tocar a cabecinha da Laura. Como ela era molinha e cabeluda! E foi assim, às 18h28, após mais duas contrações doloridíssimas, apoiada na Sá, de frente para o Fábio, que a Laura nasceu!
O Fábio, todo emocionado, com os olhos molhados e um grande sorriso, aparou a Laura e a colocou nos meus braços. Senti o maior amor do mundo! Eu a beijei, disse que a amava, que ela era pequenininha! Naquele momento, senti as nossas almas se entrelaçando. Foi a sensação mais incrível das nossas vidas!
Ela, no meu colo, deu o primeiro chorinho, rápido e agudo. Fomos para a cama, a alguns passos dali. A Laura mamou nos primeiros minutos de vida. Logo a placenta saiu e o cordão umbilical parou de pulsar. O papai, com o auxílio da neo Andréa, cortou o cordão umbilical e pesou a Laura na bancada, ao lado da cama. O excesso de vérnix caseosa foi retirado com um tecido e a Laura foi vestida pelo papai, que a colocou de volta no meu colo. Assim, permanecemos os três por toda a noite, coladinhos. Ela dormiu um pouco no colo do papai, depois no meu colo e eu dormi nos braços dele.
No dia seguinte voltamos para a nossa casa. O primeiro banho da Laura foi dado por nós, mamãe e papai, na nossa casa.
Esses são os detalhes do momento mais precioso das nossas vidas. Há, exatamente, sete meses, nós vivemos no amor maior do mundo, o amor que Jesus nos ensinou, o amor com o qual Deus nos presenteou.
E a todas as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, eu só tenho a agradecer por terem cooperado para que tudo ocorresse exatamente da forma como eu sonhei. Muito obrigada por fazerem parte do momento mais especial das nossas vidas!


Parto natural humanizado
Nascimento da Laura
Mamãe: Maria Rita
Papai: Fábio
Data: 15/06/2016
Hora: 18h28
Medidas: 3.220 Kg e 51 cm.
Tempo de gestação: 38 semanas e 5 dias.
Local: Casa de parto Opima.
Equipe:
Doula e fotógrafa: Samara Barth.
Enfermeiras obstetras: Giovana Françani Fragoso, Andreia Martins ePriscila Maria Colacioppo.
Pediatra/neonatologista: Andréa Gouveia.

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